IPCA+ 2032 volta a pagar 8,10% acima da inflação; o de 2050 perde 23,6% em um dia

O Tesouro Direto reabriu nesta segunda (26) com o IPCA+ 2032 a 8,10% acima da inflação, contra 6,72% na sexta. O IPCA+ 2050 caiu 23,6%, a segunda maior alta de taxa da série.

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O Tesouro Direto reabriu às 12h13 desta segunda-feira (26) com o Tesouro IPCA+ 2032 pagando 8,10% ao ano acima da inflação. Na sexta (23), o mesmo título pagava 6,72%. A virada, no primeiro pregão depois da reeleição de Lula, derrubou o preço do Tesouro IPCA+ 2050 em 23,6% de um dia para o outro.

Pela série do Tesouro, que começa em 2005, foi a segunda maior alta diária de taxa dos títulos atrelados à inflação, segundo o InfoMoney. Só perde para 12 de março de 2020, no começo da pandemia.

Barras mostram quanto valiam R$ 10 mil em cada título do Tesouro Direto na reabertura de 26 de outubro: IPCA+ 2050 com R$ 7.638 e Prefixado 2029 com R$ 9.517
Variação de preço de sexta (23/10) para a reabertura de segunda (26/10). Fonte: Tesouro Direto, via Money Times.

Tesouro Direto fica a manhã fechado e reabre com IPCA+ acima de 7,6%

A plataforma ficou sem negociar prefixados e títulos de inflação durante toda a manhã. É o procedimento padrão quando os juros futuros disparam.

Quando reabriu, todos os títulos IPCA+ à venda passaram a pagar mais de 7,6% acima da inflação. Os prefixados passaram de 15% ao ano. O IPCA+ 2050 chegou a 7,64%, a maior taxa desde que o título foi lançado, em fevereiro de 2025.

O movimento devolve o rali do 1º turno. Depois de 4 de outubro, com Flávio Bolsonaro (PL) na frente, o mercado tinha derrubado os juros longos. A conta foi refeita em um dia: o IPCA+ 2050 agora paga mais do que os 7,06% que pagava em 2 de outubro, antes da votação.

O Tesouro Nacional já tinha cancelado os leilões de prefixados e de títulos de inflação desta semana, como o site mostrou pela manhã. Depois, anunciou uma recompra extraordinária de até 15 milhões de títulos prefixados (NTN-F) com vencimento em 2031, 2033 e 2037, no máximo 5 milhões por prazo. É o governo comprando de volta papel de quem quer vender, para segurar a queda dos preços.

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Quanto cada título do Tesouro perdeu na reabertura

Quanto mais longo o título, maior o tombo. Um ponto a mais na taxa pesa pouco num papel que vence em 2029 e pesa muito num que vence em 2050.

Título Taxa na reabertura (26/10) Preço na segunda R$ 10 mil viraram
Prefixado 2029 15,40% ao ano -4,83% R$ 9.517
IPCA+ 2032 IPCA + 8,10% -7,13% R$ 9.287
Prefixado 2032 15,78% ao ano -12,16% R$ 8.784
IPCA+ 2040 IPCA + 7,71% -14,02% R$ 8.598
IPCA+ com juros semestrais 2060 IPCA + 7,66% -14,09% R$ 8.591
IPCA+ 2050 IPCA + 7,64% -23,62% R$ 7.638

Taxas e variações publicadas pelo Money Times a partir do Tesouro Direto. O Tesouro Selic 2031 quase não mexeu: paga a Selic, de 13,75% ao ano em 26 de outubro pelo Banco Central, mais 0,0992%.

Quem tinha R$ 10 mil no IPCA+ 2050 viu R$ 2.362 sumirem do extrato em um fim de semana. É mais do que esse dinheiro renderia em três anos a 7% acima da inflação.

O que 8,10% no IPCA+ 2032 muda para quem compra e para quem já tem

A queda de preço é a mesma moeda da taxa maior, vista do outro lado. Quem já tinha o título perde na marcação a mercado. Quem compra agora trava a taxa mais alta.

A conta do site para R$ 10 mil no Tesouro IPCA+ 2032, que vence em 15 de agosto de 2032, daqui a 5,8 anos:

  • Na taxa de sexta (IPCA + 6,72%): viram R$ 14.586 em dinheiro de hoje, já descontada a inflação.
  • Na taxa desta segunda (IPCA + 8,10%): viram R$ 15.716 em dinheiro de hoje.

São R$ 1.130 a mais de poder de compra para o mesmo dinheiro, só pela data da compra. A conta é antes do Imposto de Renda e da taxa de custódia da B3, e vale para quem fica até o vencimento. Para simular outros valores e prazos, o simulador de NTN-B do site faz a conta com a taxa nova.

Para quem já tinha, a perda de 23,6% no IPCA+ 2050 só se realiza na venda. Quem segura até 2050 recebe a taxa contratada na compra, seja ela qual for. O problema é de quem precisa do dinheiro antes: hoje, sair custa caro.

A inflação de 12 meses estava em 4,58% em setembro, pelo IBGE. Com IPCA+ acima de 7,6%, o título longo promete render mais que o dobro da inflação recente, e é esse prêmio que mostra quanto o mercado passou a cobrar para emprestar ao governo.

Copom de 4 de novembro e a nova equipe econômica

O Copom se reúne em 3 e 4 de novembro, nove dias depois da eleição. Antes disso, o mercado espera o nome do ministro da Fazenda e a meta das contas públicas de 2027. O Tesouro não marcou data para voltar a leiloar prefixados e IPCA+.

A taxa de 8% pode subir mais e derrubar o preço de novo?

Pode. A taxa do Tesouro Direto acompanha os juros futuros todos os dias, e o preço cai sempre que a taxa sobe. Quem compra hoje trava 8,10% até o vencimento, mas o extrato continua oscilando até lá.

Por que o IPCA+ 2050 caiu três vezes mais que o IPCA+ 2032 se a taxa dele subiu menos?

A taxa do 2050 subiu 1,22 ponto e a do 2032, 1,38 ponto. Mas o 2050 vence daqui a 24 anos, e cada ponto a mais é descontado por todo esse tempo. Por isso o preço do título longo sente muito mais qualquer mudança de taxa.

Dados: Money Times · InfoMoney · Banco Central (SGS 432 e 13522)

Denis Miyabara

Denis Miyabara

Denis Miyabara é engenheiro de formação e sócio da EQI Investimentos. Criador do canal Investir e Coçar, no YouTube, onde explica investimentos sem enrolação para mais de 165 mil inscritos, e apresentador do Faria Lima Late Show. Escreve sobre ações, fundos imobiliários, ETFs e renda fixa — sempre abrindo a conta na tela, e deixando claro quando o número é projeção e quando já caiu no bolso.

Artigos: 560

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