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O Assaí (ASAI3) teve lucro líquido recorrente de R$ 248 milhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 55% sobre o mesmo período de 2025, segundo o balanço divulgado na noite desta quinta-feira (5), depois do fechamento da bolsa. No mesmo trimestre, a despesa financeira recorrente somou R$ 551 milhões, 2,2 vezes o lucro.
Para cada R$ 1 de lucro recorrente, a rede de atacarejo gastou R$ 2,22 com juros da dívida e com o desconto cobrado para antecipar o dinheiro das vendas no cartão. A conta já foi pior: a despesa caiu 8,8% em um ano, e a dívida líquida ficou em 2,15 vezes o Ebitda de 12 meses, o nível mais baixo desde a cisão que separou o Assaí do GPA no fim de 2020.

O lucro do Assaí no 3T26 cresceu, mas ficou abaixo das projeções
Os R$ 248 milhões vieram abaixo do que o mercado esperava. O consenso da Bloomberg citado pela Money Times apontava R$ 287 milhões. O levantamento da LSEG, citado pela Reuters, esperava R$ 363 milhões. O lucro contábil foi maior, de R$ 427 milhões, porque soma créditos tributários que a empresa não conta como recorrentes.
A receita líquida ficou em R$ 19 bilhões, estável em um ano. As vendas nas lojas abertas há mais de um ano subiram só 0,1% no trimestre, com o consumo das famílias pressionado pelo endividamento, segundo a empresa. As despesas operacionais subiram 4,2%, abaixo da inflação de 12 meses.
Os números do balanço do Assaí
| Indicador | 3T26 | Comparação com o 3T25 |
|---|---|---|
| Lucro líquido recorrente | R$ 248 milhões | +55% |
| Lucro líquido contábil | R$ 427 milhões | +119% |
| Receita bruta | R$ 21,3 bilhões | +2,7% |
| Ebitda ajustado | R$ 1,08 bilhão | estável |
| Despesa financeira recorrente | R$ 551 milhões | -8,8% |
| Dívida líquida / Ebitda | 2,15 vezes | 3,03 vezes um ano antes |
Por que os juros ainda pesam mais que o lucro do Assaí
A dívida líquida caiu R$ 1,3 bilhão em 12 meses, e o volume de vendas antecipadas com desconto recuou de R$ 2 bilhões para R$ 1,2 bilhão. O dinheiro veio do caixa: a geração de caixa livre foi de R$ 2,8 bilhões em 12 meses. O presidente da empresa, Belmiro Gomes, disse em entrevista que o foco segue sendo reduzir o endividamento.
Parte do alívio na despesa financeira veio do CDI mais baixo, segundo a empresa. Esse caminho parou: na quarta-feira (4), o Copom manteve a Selic em 13,75% ao ano, e economistas ouvidos pela InvestNews só veem novo corte em 2027. Com o juro parado, a conta de R$ 551 milhões por trimestre passa a depender quase só de quanto dívida o Assaí ainda conseguir abater.
O que o balanço muda para quem tem ASAI3
A ação chega ao balanço ainda longe do preço de antes da eleição. Na sexta-feira antes do 2º turno (23/10), fechou a R$ 13,80, segundo o arquivo oficial de cotações da B3. Na segunda seguinte, caiu 43%, para R$ 7,87. Nesta quinta (5), antes do resultado sair, fechou a R$ 8,45, segundo o Yahoo Finance. Quem tinha R$ 1.000 em ASAI3 em 23 de outubro está hoje com R$ 612. A queda e a compra de 15% do capital pela família Muffato estão neste texto sobre o novo maior acionista do Assaí.
O dado que a empresa destacou para os próximos meses é outubro: as vendas nas mesmas lojas subiram 3,9%, depois da proibição das apostas on-line em 25 de setembro. Gomes disse que, mantida a proibição, as famílias podem ter “o Natal mais gordo” dos últimos dois anos. Do outro lado, a empresa espera custo trabalhista maior se a escala 6×1 acabar. Para comparar o risco de uma ação de varejo com o de um título de renda fixa, o teste do site que mede quanto risco cada um aguenta ajuda a pôr os dois lado a lado.
Por que o lucro contábil foi quase o dobro do recorrente?
A diferença de R$ 179 milhões vem de créditos tributários que a empresa registra no trimestre mas trata como não recorrentes. Por isso o mercado compara o recorrente com as projeções, e foi nele que o resultado ficou abaixo do esperado.
Se a Selic parou em 13,75%, a despesa com juros do Assaí para de cair?
Não necessariamente, porque parte da queda veio da dívida menor, e não só do CDI. Com R$ 2,8 bilhões de caixa livre em 12 meses, a empresa ainda tem dinheiro para abater dívida. O que muda é o ritmo: sem corte de juros, cada real a menos de despesa precisa sair do próprio caixa.



