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A Petrobras aumentou neste domingo (1º) o preço do querosene de aviação em 7,2%, ou R$ 0,45 por litro, para as distribuidoras. Com os volumes do último balanço da Azul (AZUL3), esse reajuste sozinho representa cerca de R$ 47 milhões a mais por mês, se chegar inteiro à companhia.
É o terceiro aumento em três meses. Em 2026 o litro já subiu cerca de 84%, de R$ 3,64 em dezembro para R$ 6,69 agora, na conta feita a partir dos percentuais que a própria Petrobras (PETR4) divulgou.

Petrobras repassa guerra e refino em falta para o tanque dos aviões
A estatal atribui o aumento às cotações internacionais, pressionadas pelas tensões no Oriente Médio e pela menor capacidade de refino na Rússia e na Ucrânia. O preço é revisto todo dia 1º, por uma fórmula prevista em contrato. Segundo a empresa, essa fórmula segura as oscilações de curto prazo, enquanto lá fora as aéreas podem ter preço novo todo dia.
A nota de novembro deixou uma diferença em relação à anterior. Em outubro, a Petrobras confirmou que atenderia os volumes pedidos pelas distribuidoras; desta vez, não disse se isso vale para o mês.
A sequência recente pesa mais que o número do dia. Foram 13,9% em setembro, quando o acumulado do ano chegou a 53,3%, e 11,8% em outubro, ou R$ 0,66 por litro. Só os reajustes de outubro e novembro somam R$ 1,11, mais de um terço dos R$ 3,05 que o litro subiu no ano.
O que o balanço da Azul mostra sobre o peso do combustível
O último retrato disponível é o do segundo trimestre. A companhia queimou menos querosene do que um ano antes e, mesmo assim, pagou R$ 572 milhões a mais por ele.
| Azul | 2º tri 2025 | 2º tri 2026 |
|---|---|---|
| Preço do litro de combustível | R$ 3,86 | R$ 6,25 |
| Litros consumidos | 359,5 milhões | 313,7 milhões |
| Gasto com combustível | R$ 1,39 bilhão | R$ 1,96 bilhão |
| Ebitda (lucro antes de juros, impostos e depreciação) | R$ 1,14 bilhão | R$ 510,1 milhões |
Quanto R$ 0,45 por litro pesa na conta da AZUL3
Multiplicando os 313,7 milhões de litros do trimestre por R$ 0,45, a despesa sobe R$ 141 milhões a cada três meses, perto de R$ 47 milhões por mês. Isso equivale a 28% de todo o Ebitda do segundo trimestre.
Com os R$ 1,11 de outubro e novembro, a mesma conta vai a R$ 348 milhões por trimestre, ou 68% daquele Ebitda. O cálculo é uma régua, não uma previsão: supõe o mesmo volume de voos e repasse integral. A Azul compra das distribuidoras, e o volume de voos muda de um trimestre para o outro.
A empresa já mostrou o que costuma fazer nesse cenário. No segundo trimestre, subiu tarifas e cortou 10,6% da capacidade, e a receita chegou a R$ 5 bilhões. Em outubro, também contratou um crédito de até R$ 2 bilhões só para combustível, valor que cobre cerca de três meses da conta nos preços de abril a junho. Com o litro mais caro, esse prazo encurta.
A AZUL3 fechou a sexta-feira (30) a R$ 10,47, contra R$ 15,06 uma semana antes, segundo os dados da B3. Essa queda veio antes do anúncio de novembro. Com o feriado de Finados nesta segunda (2), a ação só volta a negociar na terça-feira (3), já com o novo preço em vigor.
Por que o querosene mais caro não vira ganho direto na PETR4
Quem tem PETR4 está do outro lado do balcão, mas a conta é menos simples. A empresa vendeu 9,9% mais querosene no terceiro trimestre em relação ao segundo e, segundo o relatório de produção, as importações subiram 114,1% no mesmo período, com compras de petróleo, diesel e querosene. Parte do que a empresa vende mais caro ela também comprou fora, a preço internacional.
A ação fechou a sexta (30) a R$ 52,71, ante R$ 58,68 uma semana antes. A Petrobras não abre nas notas o volume de querosene vendido, então não dá para calcular daqui quanto o reajuste soma ao caixa. O dado mais próximo virá no balanço do terceiro trimestre, que também mostrará o efeito do petróleo mais caro sobre o resultado.
Dia 1º de dezembro traz o próximo preço do querosene
Pelo contrato, a próxima revisão da fórmula cai em 1º de dezembro. Até lá, o número a acompanhar é o do balanço do terceiro trimestre da Azul, o primeiro a mostrar o aumento de setembro na despesa. Outubro e novembro só aparecem no resultado seguinte.
A passagem aérea sobe na mesma proporção?
Não existe repasse automático. O combustível foi 39% da receita da Azul no segundo trimestre (R$ 1,96 bilhão sobre R$ 5 bilhões), e a tarifa depende também da demanda e da oferta de voos. A empresa informou que subiu tarifas para compensar a alta do combustível.
Se o preço da Petrobras subiu 84%, por que a Azul não pagou 84% a mais?
Os períodos são diferentes. Os 84% vão de dezembro a novembro, e o último balanço da Azul para em junho. O preço pago por ela também passa por distribuidoras e varia conforme o local de abastecimento.



