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O mercado de canetas emagrecedoras no Brasil, na China e na Índia pode sair de US$ 6,6 bilhões para US$ 22 bilhões até 2035, segundo um relatório do J.P. Morgan divulgado nesta sexta-feira (23). Em reais, com o dólar a R$ 4,99 do fechamento do dia, o salto é de R$ 33 bilhões para R$ 110 bilhões. A única empresa brasileira que o banco cita como possível beneficiada é a RD Saúde (RADL3), dona da Raia e da Drogasil, e a ação acumula queda de 13,5% em 2026.

A aposta do J.P. Morgan nas canetas de GLP-1 fora dos países ricos
O estudo, assinado por analistas liderados por Yang Huang, olha para os remédios da classe GLP-1, a mesma do Ozempic e do Wegovy, da Novo Nordisk, e do Zepbound, da Eli Lilly. A tese é que o preço vai cair e o acesso vai crescer, puxado pelo fim de patentes, pela chegada de genéricos e por programas públicos, como relatou o g1.
Hoje o uso é quase nulo nesses países. Menos de 0,1% dos chineses e menos de 0,2% dos indianos tomam esse tipo de remédio. Nos Estados Unidos, são de 4% a 5% da população. O banco calcula um crescimento médio de 15% ao ano até 2035. Para ter uma ideia do que isso significa: R$ 100 de vendas hoje virariam R$ 352 daqui a nove anos.
Brasil, China e Índia: quanto cada um pode movimentar em 2035
O Brasil é hoje o maior dos três mercados, mas deve perder o posto para a China já em 2027. Pela conta do banco, o mercado chinês chega a quase o dobro do brasileiro em 2035:
| Mercado | Projeção para 2035 | Em reais (dólar a R$ 4,99) |
|---|---|---|
| Brasil, China e Índia juntos | US$ 22 bilhões | R$ 110 bilhões |
| China | US$ 13,7 bilhões | R$ 68 bilhões |
| Brasil | US$ 8 bilhões | R$ 40 bilhões |
Projeções do J.P. Morgan divulgadas em 23/10/2026; conversão pelo dólar comercial de R$ 4,993 no fechamento do mesmo dia.
A Índia, que tem o menor mercado dos três, esbarra no preço alto, na resistência a remédio injetável e numa mudança cultural mais lenta. No Brasil, o freio é outro: mesmo em 2035, só 7% a 8% dos brasileiros com obesidade devem usar remédio para tratar a doença. Nos Estados Unidos, a projeção é de 30%. Proporcionalmente, os Estados Unidos tratariam quatro vezes mais.
O que a projeção das canetas muda na RADL3
Além da RD Saúde, o J.P. Morgan citou a chinesa Innovent e as indianas Divi’s Laboratories e Torrent Pharmaceuticals. A lógica, no caso brasileiro, é simples: a caneta chega ao paciente pelo balcão da farmácia, e é ali que a RD Saúde ganha dinheiro.
Na bolsa, o ano foi de sobe e desce. A RADL3 fechou 2025 a R$ 23,45, bateu R$ 27,00 em 11 de fevereiro, desabou até R$ 16,25 em 19 de junho e terminou esta sexta-feira a R$ 20,28. Quem colocou R$ 1.000 na ação no pico de fevereiro tem hoje R$ 751, sem contar proventos. Quem entrou no começo do ano tem R$ 865. Já quem comprou na mínima de junho está com R$ 1.248.
A projeção de US$ 8 bilhões para o Brasil em 2035 não diz quanto disso passa pelas farmácias da RD Saúde, nem com qual margem. Genérico mais barato aumenta o número de pacientes, mas reduz o valor de cada venda. E a concorrência pela venda de remédio não está só nas redes físicas: em outubro, este site mostrou por que a ação da Novo Nordisk e as farmácias caíram com a caneta vendendo como nunca.
Uma ação que perdeu 40% entre fevereiro e junho exige estômago. Antes de olhar qualquer ticker, o teste do site mostra quanto de queda você aguenta sem vender no pior momento.
Se o mercado vai triplicar, por que a RADL3 caiu no ano?
O relatório do J.P. Morgan olha para 2035; a ação reage ao que a empresa fatura e lucra agora. E o ganho da farmácia depende de quanto ela fatura por caneta, valor que a chegada de genéricos, um dos motores da projeção, tende a baixar.
A China passar o Brasil muda alguma coisa para quem investe aqui?
Para a RD Saúde, não diretamente, já que as lojas dela estão no Brasil. O dado serve como régua: o Brasil cresce, mas com só 7% a 8% dos obesos tratados em 2035, a fatia brasileira dos US$ 22 bilhões fica em pouco mais de um terço.



