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A Embraer (EMBJ3) fechou setembro com US$ 35,7 bilhões em pedidos ainda por entregar, o maior valor da sua história e o sétimo recorde trimestral seguido. A carteira cresceu 14% em um ano e 3% sobre junho, segundo os números operacionais divulgados pela fabricante nesta sexta-feira (23). Convertido pelo dólar do dia, o volume equivale a R$ 179,8 bilhões, quase três vezes o que a empresa inteira vale na bolsa.

Os jatos E2 que puxaram o recorde da Embraer no 3º trimestre
A aviação comercial respondeu pela maior fatia. Entre julho e setembro, a Embraer fechou 36 pedidos firmes da família E2 e mais 30 opções ou direitos de compra. O maior veio do Grupo Abra, dono da Gol e da Avianca: 20 jatos E195-E2 firmes, com espaço para chegar a 45 aviões se as opções forem exercidas. A espanhola Binter pediu mais cinco E195-E2, a japonesa ANA encomendou outros oito E190-E2 e a Luxair transformou três direitos de compra em pedido firme, conforme o Seu Dinheiro.
Na defesa, a Força Aérea da Colômbia comprou dois cargueiros KC-390 Millennium. Foi o empurrão para a divisão de Defesa e Segurança crescer 56% em um ano, o maior salto entre as quatro áreas. Quem acompanha o setor militar pela bolsa já viu esse movimento nos ETFs de defesa.
A carteira de US$ 35,7 bilhões, divisão por divisão
| Divisão | Carteira em 30/09/2026 | Variação em 12 meses |
|---|---|---|
| Aviação Comercial | US$ 15,8 bi | +4% |
| Aviação Executiva | US$ 8,2 bi (recorde) | +12% |
| Defesa e Segurança | US$ 6,1 bi | +56% |
| Serviços e Suporte | US$ 5,6 bi (recorde) | +14% |
| Total | US$ 35,7 bi | +14% |
As entregas andaram junto. Foram 66 aviões no trimestre, contra 62 um ano antes, e 175 de janeiro a setembro, 14% acima de 2025, segundo o g1 e o comunicado da empresa. A meta da Embraer para o ano, somando aviação comercial e executiva, é de 240 a 255 jatos. Para cumprir, o último trimestre precisa de 65 a 80 entregas. Isso é, no mínimo, repetir o ritmo de julho a setembro.
O que os R$ 179,8 bilhões em pedidos significam para quem tem EMBJ3
A conta por ação ajuda a enxergar o tamanho. A Embraer tem 740,5 milhões de ações. Dividida por elas, a carteira dá R$ 242,89 em pedidos para cada papel, que fechou esta sexta a R$ 88,58. Quem tem 100 ações, um investimento de R$ 8.858, é sócio de uma fatia de R$ 24.289 em aviões e contratos já vendidos.
A ação não acompanhou o recorde. A EMBJ3 chegou a R$ 101,52 em 25 de setembro e caiu 12,7% desde então. Em 12 meses sobe só 3%, enquanto a carteira cresceu 14%. No ano, está praticamente no mesmo lugar: fechou 2025 a R$ 88,60. O histórico do papel está na página de cotação da EMBJ3.
Tem um detalhe que pesa no bolso de quem investe em reais: a carteira é toda em dólar. Com o dólar a R$ 5,04, cada 10 centavos a menos no câmbio tira R$ 3,6 bilhões do valor da carteira em reais. O real mais forte de 2026 encolhe a receita da exportadora quando ela vira balanço em reais. Antes de aumentar ou reduzir peso numa ação dolarizada, ajuda medir quanto sobe e desce você aguenta sem vender no susto: o teste de perfil do site faz essa conta.
O balanço completo do terceiro trimestre, com receita e lucro, sai em 10 de novembro. É ali que dá para ver se os pedidos estão virando margem ou só volume.
Se a carteira vale 2,7 vezes a empresa, por que a ação não sobe?
Porque pedido não é lucro. A carteira é receita que vai entrar ao longo de vários anos, e o que sobra para o acionista depende da margem de cada avião, do custo das peças e do câmbio. O valor de mercado já desconta tudo isso, então a comparação mostra o tamanho do trabalho contratado, não um preço “certo” para a ação.
A meta de entregas de 2026 está garantida?
Não. Com 175 aviões entregues até setembro, a Embraer cumpriu cerca de 67% do ponto médio da meta, oito pontos acima da média dos últimos cinco anos para o período. Ainda faltam de 65 a 80 jatos no quarto trimestre, mais do que os 66 entregues de julho a setembro no topo da faixa.



