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A CASH3 caía 9,5% às 14h46 desta quinta-feira (5), a R$ 3,92, depois do balanço do 3º trimestre. É uma queda de 30% desde o fechamento de agosto, a R$ 5,64. A esse preço, a Méliuz vale R$ 409 milhões na bolsa, e R$ 326 milhões desse total são bitcoin e dinheiro em caixa.
Sobram R$ 84 milhões para pagar o negócio em si, o programa de cashback com 56,6 milhões de contas. Dá R$ 1,48 por conta aberta, e a conta muda a cada oscilação da ação e do bitcoin.
Por que a CASH3 caiu com lucro de R$ 113,7 milhões no 3T26
A receita líquida foi de R$ 96,1 milhões, contra R$ 123,7 milhões um ano antes, segundo o release de resultados da empresa. O e-commerce, que ainda é a maior linha, encolheu 35,3%, para R$ 50,4 milhões.
Boa parte do buraco tem nome: a saída da Casas Bahia, que entrou em recuperação judicial, tirou cerca de R$ 15 milhões de receita. Isso responde por 54% dos R$ 27,6 milhões perdidos em um ano. Sem esse efeito, a receita teria caído 10%, e não 22,3%. A varejista também obrigou a uma provisão líquida de R$ 10,2 milhões.
O volume comprado pelos usuários quase não mexeu: R$ 1,25 bilhão, queda de 3,3%. A Méliuz ganhou menos em cada venda, com a taxa recebida caindo de 7,2% para 6,3%.
De R$ 113,7 milhões para R$ 19,6 milhões: o lucro sem o bitcoin
O lucro de R$ 113,7 milhões é 700% maior que o de um ano antes, mas 83% dele não saiu da operação nem entrou no caixa como dinheiro novo.
| Lucro do 3T26 | R$ milhões |
|---|---|
| Reversão de perda contábil com bitcoin | 78,5 |
| Imposto diferido da incorporação da Alter, menos a provisão da Casas Bahia | 15,6 |
| Lucro ajustado, o que veio do negócio | 19,6 |
| Total | 113,7 |
Os R$ 19,6 milhões ajustados ainda são 28,4% maiores que os R$ 15,3 milhões do 3T25, mesmo com o Ebitda ajustado 37,7% menor, em R$ 17 milhões. A empresa credita a alta à estrutura enxuta e à alocação de capital. O Money Times registra que esse Ebitda superou o que um dos bancos projetava, embora a receita tenha decepcionado.
Quanto de cada ação da CASH3 é bitcoin, caixa e negócio
A empresa fechou setembro com 526,7 bitcoins, valendo R$ 228 milhões naquela data. Pela cotação da tarde desta quinta no CoinGecko, R$ 416,3 mil por moeda, a mesma carteira vale R$ 219,3 milhões. Os R$ 8,7 milhões a menos equivalem a 44% do lucro ajustado do trimestre, perdidos em cinco semanas.
| Em cada ação de R$ 3,92 | Por ação | Total |
|---|---|---|
| Bitcoin | R$ 2,10 | R$ 219,3 milhões |
| Caixa e aplicações (30/9) | R$ 1,02 | R$ 106,3 milhões |
| O negócio de cashback | R$ 0,80 | R$ 83,7 milhões |
A conta usa as 104,4 milhões de ações listadas no Fundamentus e não considera os derivativos. Ela chega perto da própria empresa, que calculava em 3 de novembro o negócio a 1,1 vez o Ebitda ajustado de 12 meses, de R$ 99 milhões. Com a queda de hoje, a mesma medida fica em cerca de 0,85 vez.
Para quem tem CASH3, isso muda o que está sendo comprado: mais da metade do preço anda com o bitcoin, não com o varejo. A carteira foi comprada a US$ 103,3 mil em média, conforme o release do 1T26, e a moeda vale hoje US$ 75,9 mil, 26,5% abaixo. E bitcoin não paga juro: os mesmos R$ 219,3 milhões renderiam cerca de R$ 30 milhões brutos por ano com a Selic de 13,75%, o que dá para simular na calculadora de renda fixa. É quase metade dos R$ 64,5 milhões de lucro ajustado em 12 meses.
Os dois prazos de 2027: as opções do bitcoin e o fim da parceria com o BV
No trimestre, a Méliuz vendeu 78 bitcoins por US$ 5,65 milhões, cerca de US$ 72,4 mil cada, para bancar a recompra de ações. Junto, comprou opções que permitem recomprar as mesmas moedas em 2027, por no máximo US$ 5,85 milhões. Com o bitcoin a US$ 75,9 mil, pouco acima dos cerca de US$ 75 mil do exercício, recomprar custaria esse teto, 3,5% mais do que a venda rendeu.
O outro prazo é junho de 2027, quando acaba a parceria da conta digital com o banco BV. Serviços financeiros renderam R$ 10,5 milhões no trimestre, 11% da receita. Antes disso, a Black Friday de novembro mostra se o e-commerce recompõe a receita sem a Casas Bahia.
O que acontece com a CASH3 se o bitcoin cair mais 20%?
Só pelo peso na carteira, a ação perderia R$ 0,42, ou 10,7% do preço atual, com todo o resto parado. O tombo do bitcoin após o ataque à Binance mostrou quanto a moeda pode andar em poucos dias.
O lucro do bitcoin pode sumir no próximo balanço?
Pode. A reversão de R$ 78,5 milhões é contábil, sem efeito no caixa, e o mesmo item tirou R$ 32,1 milhões do resultado no 2T26. Se a moeda fechar dezembro abaixo do valor de setembro, a linha tende a voltar negativa, por isso o lucro ajustado é o número mais útil para comparar trimestres.



