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O Grupo Fleury lucrou R$ 264,3 milhões no terceiro trimestre de 2026, 42,9% mais que os R$ 184,9 milhões de um ano antes, segundo o balanço divulgado nesta quinta-feira (5). O número passou a média de R$ 242 milhões que os analistas esperavam, segundo a Money Times. O lucro chega com a FLRY3 25,7% abaixo do preço de 23 de outubro, a sexta-feira antes do 2º turno.
A queda não veio do balanço. Ela aconteceu antes dele, quase toda num dia só, e o lucro maior ainda não devolveu o preço. Quem tinha R$ 1.000 na ação em 23/10 estava com R$ 743 no fechamento de 4/11.

O lucro da Fleury que passou a previsão dos analistas
A receita líquida subiu 13,4%, para R$ 2,48 bilhões, e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) cresceu 12,2%, para R$ 672,2 milhões. As duas linhas também ficaram acima do consenso da Bloomberg citado pela Money Times: R$ 2,45 bilhões e R$ 660 milhões.
O lucro cresceu mais de três vezes o ritmo do Ebitda. Essa diferença vem das linhas que ficam abaixo do Ebitda no balanço, como depreciação, juros da dívida e imposto. Contra o segundo trimestre, quando os controladores lucraram R$ 221,8 milhões, a alta foi de 19,1%, segundo a TradeMap.
A margem Ebitda foi o único número que piorou: caiu 0,3 ponto, para 27,1%. O diretor financeiro, José Filippo, atribuiu o recuo à Femme, rede de saúde da mulher comprada pela Fleury, que entrou no resultado pela primeira vez neste trimestre. Segundo ele, a Femme “contribuiu na receita”, mas os ganhos da integração ainda estão no começo.
Os números do 3T26 da Fleury lado a lado
| Indicador | 3T25 | 3T26 | Variação |
|---|---|---|---|
| Lucro líquido (controladores) | R$ 184,9 milhões | R$ 264,3 milhões | +42,9% |
| Ebitda | R$ 599,4 milhões | R$ 672,2 milhões | +12,2% |
| Receita líquida | — | R$ 2,48 bilhões | +13,4% |
| Margem Ebitda | 27,4% | 27,1% | −0,3 ponto |
| Alavancagem | 1,0 vez | 1,0 vez | estável |
A alavancagem ficou em 1,0 vez, o mesmo nível de um ano antes, mesmo com a compra da Femme e com juros altos. O retorno sobre o capital investido chegou a 18,7%, segundo a InfoMoney. Nos nove meses de 2026, o lucro acumula alta de 36%.
Quanto a FLRY3 perdeu desde o 2º turno, mesmo com lucro maior
A FLRY3 fechou a R$ 27,87 em 23 de outubro. Na segunda-feira (26), primeiro pregão depois da reeleição de Lula, foi a R$ 22,10, queda de 20,7% num dia em que a B3 acionou o circuit breaker e o Ibovespa caiu 13,88%. Em 4 de novembro, fechou a R$ 20,71, pelos dados oficiais da B3.
Na mesma janela, o BOVA11, fundo que copia o Ibovespa, foi de R$ 201,69 para R$ 164,82, queda de 18,3%. Ou seja, R$ 1.000 na FLRY3 viraram R$ 743, e R$ 1.000 na bolsa inteira viraram R$ 817. A ação da Fleury apanhou mais que o índice, numa quinzena em que a empresa só deu notícia boa de resultado.
Para quem tem a ação, a conta de volta é pesada: a FLRY3 precisa subir 34,6% para voltar aos R$ 27,87 de 23 de outubro. Uma queda de 25,7% pede uma alta maior que ela para ser recuperada, porque a alta é calculada sobre um preço menor. Quem ainda não sabe quanto de queda aguenta ver na carteira pode medir isso no teste do Perfil de Cagaço. O tombo do dia 26 também derrubou bancos: o Itaú perdeu 13,66% naquela segunda, como mostramos em ITUB4 antes do balanço.
O balanço explica a queda da FLRY3?
Não. A maior parte da queda, 20,7%, aconteceu em 26 de outubro, dez dias antes do resultado, no pregão do circuit breaker. O balanço de 5 de novembro trouxe lucro, receita e Ebitda acima do esperado.
Se o lucro subiu e o preço caiu, a ação ficou mais barata em relação ao lucro?
Na conta simples, sim: cada ação passou a custar menos por real de lucro do trimestre do que custava em 23 de outubro. Isso não diz se o preço vai voltar. O mercado pode estar cobrando outra coisa, como juros mais altos por mais tempo, que pesam sobre todas as ações da bolsa.
Dados: Money Times · InfoMoney · TradeMap · B3 (COTAHIST)



