⏰ 4 min de leitura
A Intel faturou US$ 16,5 bilhões no 3º trimestre de 2026, 21% a mais que um ano antes, e mesmo assim a ação desabou na Nasdaq nesta sexta-feira (30). O motivo está na previsão para o 4º trimestre: receita de US$ 15 bilhões a US$ 16 bilhões, abaixo dos cerca de US$ 17 bilhões que os analistas esperavam, segundo o Seu Dinheiro. Na B3, o BDR da empresa, o ITLC34, já perdeu 30% em dois pregões.
Por volta das 12h45 (horário de Brasília), a ação da Intel valia US$ 65,74 em Nova York, 28,6% abaixo do fechamento de quinta-feira (29), de US$ 92,07. O ITLC34 fechou a quinta em R$ 69,50, queda de 18,4% sobre os R$ 85,20 de quarta, e por volta das 12h30 desta sexta estava em R$ 59,56.

A previsão de PC fraco que derrubou a Intel
O balanço em si veio acima do que a própria Intel tinha prometido. No comunicado de resultados, o diretor financeiro, David Zinsner, disse que receita, margem e lucro por ação superaram o guia da empresa, com o maior crescimento em data center em 15 anos. A divisão de data center e IA faturou US$ 7,3 bilhões, alta de 78%.
O problema é o computador pessoal. A área que vende chips para PCs, ainda a maior da empresa, recuou 5%, para US$ 8,1 bilhões. E Zinsner avisou que a desaceleração dos PCs deve continuar “pelo menos até o primeiro semestre do ano que vem”. A conta do mercado foi direta: se o maior negócio da Intel encolhe por mais seis meses, a receita para de subir. A faixa de US$ 15 bilhões a US$ 16 bilhões para o 4º trimestre fica abaixo dos US$ 16,5 bilhões do trimestre que acabou de fechar.
A previsão de lucro reforçou o susto: US$ 0,10 por ação no 4º trimestre pelo critério contábil, contra US$ 0,60 no 3º. O lucro líquido do trimestre, de US$ 3,3 bilhões, já tinha ficado 18% abaixo dos US$ 4,1 bilhões de um ano antes.
Os números do 3º trimestre da Intel
| Item | 3º tri 2026 | 3º tri 2025 | Variação |
|---|---|---|---|
| Receita | US$ 16,5 bi | US$ 13,7 bi | +21% |
| Data center e IA | US$ 7,3 bi | — | +78% |
| Chips para PCs | US$ 8,1 bi | — | −5% |
| Lucro líquido | US$ 3,3 bi | US$ 4,1 bi | −18% |
| Lucro por ação | US$ 0,60 | US$ 0,90 | −33% |
| Margem bruta | 43,0% | 38,2% | +4,8 pontos |
A empresa também concluiu no trimestre uma venda de US$ 23 bilhões em ações novas para bancar a expansão das fábricas, o que aumenta o número de papéis entre os quais o lucro é dividido.
Quanto o tombo tirou de quem tem ITLC34
Quem aplicou R$ 10 mil no ITLC34 no último pregão de 2025, a R$ 34,34 por BDR, viu o dinheiro chegar a R$ 35.236 no pico de 22 de junho, quando o papel fechou a R$ 121. Na quarta-feira (28), véspera do balanço, ainda tinha R$ 24.811. Um pregão depois, R$ 20.239. Com o preço desta sexta ao meio-dia, sobram cerca de R$ 17.300.
Ou seja: o investidor que entrou em janeiro continua no lucro, mas devolveu em dois dias R$ 7,5 mil, metade do que tinha ganhado no ano até quarta. Quem comprou no pico de junho está com menos da metade do dinheiro.
Como o BDR é negociado em reais, o preço também acompanha o dólar. Nesta semana o efeito foi pequeno perto do tamanho da queda: as duas pontas caíram parecido, 31% da ação em dólar desde quarta e 30% do BDR em reais. Para quem tem os dois tipos de risco na carteira, vale saber quanto de oscilação aguenta antes de ver um número desses; o teste Perfil de Cagaço, do site, mede isso em poucos minutos.
A Intel não caiu sozinha. A Nasdaq recuava 2,2% pela manhã, puxada também pelo balanço da Amazon, segundo o Times Brasil, e a AMD perdia 10%. Nesta semana o site já mostrou como a Amazon caiu mesmo com margem recorde e como o Google parou de recomprar ações para gastar em IA.
Por que o ITLC34 caiu 18% na quinta se a Intel só despencou na sexta?
O comunicado saiu às 16h01 de Nova York, 17h01 em Brasília, e a ação passou a cair nas negociações depois do fechamento americano. Na B3, o BDR foi negociado a R$ 79,33 em média na quinta e fechou no menor preço do dia, R$ 69,50: a queda se concentrou no fim do pregão, quando o balanço já tinha saído.
A Intel ainda está no lucro em 2026?
Está. A ação terminou 2025 a US$ 36,90 e, mesmo a US$ 65,74, acumula alta de 78% no ano. Desde o pico de US$ 140,94, em 22 de junho, a ação já perdeu mais da metade do valor.



