Newcastle em SC trava 12% das vendas externas de carne de aves; o México pesa quase metade

México, Malásia, China, Chile e Arábia Saudita suspenderam compras após o foco de Newcastle em SC. Esses destinos levaram US$ 933 milhões em carne de aves até setembro, 11,9% das exportações.

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O foco da doença de Newcastle numa granja de perus em Nova Itaberaba (SC) já fechou, total ou parcialmente, cinco mercados para a carne de aves do Brasil. Pelas contas do Investir e Coçar com dados oficiais do Comex Stat, esses destinos compraram US$ 933 milhões de janeiro a setembro de 2026, ou 11,9% de tudo o que o país vendeu lá fora no período. Só o México, que barrou o produto de todo o Brasil, responde por 45% desse valor.

Gráfico de barras: exportação de carne de aves de janeiro a setembro de 2026 para México (US$ 423 milhões), China só de SC (US$ 221 milhões), Arábia Saudita só de SC (US$ 193 milhões), Chile só de SC (US$ 87 milhões) e Malásia (US$ 9 milhões)
Fonte: Comex Stat/MDIC (NCM 0207, valor FOB), janeiro a setembro de 2026

O foco de Newcastle em SC: o que o Ministério confirmou

O Ministério da Agricultura confirmou o foco no domingo (18) e anunciou o caso na segunda-feira (19). O vírus apareceu num exame de vigilância de rotina, em perus que não tinham sintomas. A granja tinha cerca de 6 mil aves, todas abatidas e enterradas entre segunda e terça. Equipes estaduais visitam propriedades num raio de 10 km, e em pouco mais de 130 delas haverá coleta de amostras.

A doença não passa para quem come frango. Em humanos, o contato direto com aves doentes pode causar uma conjuntivite passageira. O problema é comercial: país livre de Newcastle fecha a porta para proteger a própria criação.

O México foi o primeiro, ainda na segunda, e suspendeu carne, aves vivas e ovos férteis de todo o Brasil. A Malásia fez o mesmo na quarta (21). China, Chile e Arábia Saudita limitaram a restrição a Santa Catarina. No caso chinês, um acordo bilateral obriga o Brasil a suspender as vendas por conta própria quando aparece Newcastle; depois, Pequim define até onde vai o bloqueio.

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Quanto do frango exportado ficou travado

O Brasil exportou US$ 7,83 bilhões em carne de aves (frango, peru e outras) nos nove primeiros meses do ano, 4,09 milhões de toneladas. Santa Catarina respondeu por US$ 1,71 bilhão, 21,8% do total, atrás só do Paraná, com 41,8%.

DestinoAlcance da suspensãoCompras jan.–set. 2026Fatia das exportações
MéxicoTodo o BrasilUS$ 423 milhões5,4%
ChinaSó Santa CatarinaUS$ 221 milhões2,8%
Arábia SauditaSó Santa CatarinaUS$ 193 milhões2,5%
ChileSó Santa CatarinaUS$ 87 milhões1,1%
MalásiaTodo o BrasilUS$ 9 milhões0,1%
TotalUS$ 933 milhões11,9%

Fonte: Comex Stat/MDIC, valor FOB da NCM 0207 de janeiro a setembro de 2026; fatias sobre US$ 7,83 bilhões exportados.

O peso da regionalização aparece na China. Ela é o maior comprador da carne de aves brasileira, com US$ 1,16 bilhão no ano. Se o bloqueio valesse para o país inteiro, só ela tiraria 14,8% das vendas. Restrito a Santa Catarina, o corte cai para 2,8%. A Malásia, que fechou para todo o Brasil, mal entra na conta: é o 68º destino do frango brasileiro.

MBRF3 caiu 4,11%: o que o embargo do México significa

A ação mais exposta é a MBRF (MBRF3), dona da Sadia e da Perdigão e com fábricas em Santa Catarina. O papel caiu 4,11% na segunda, a R$ 18,29, segundo o InfoMoney. Nesta quinta-feira (22), voltava a cair cerca de 4,4% no fim da manhã, cotado perto de R$ 17,99, num dia de queda geral da bolsa. Quem tinha R$ 10 mil em MBRF3 no fechamento de sexta (16), antes do anúncio, via a posição valer cerca de R$ 9.480, R$ 520 a menos em quatro pregões.

A empresa disse à CVM que não espera impacto relevante nas operações nem nos resultados e que o caso não se enquadra como fato relevante. O JPMorgan estima que Santa Catarina responda por 10% a 20% das exportações de frango da MBRF e da Seara, braço da JBS.

O precedente é de julho de 2024, no Rio Grande do Sul. Naquele episódio, segundo o banco, as exportações brasileiras de frango perderam cerca de 100 mil toneladas, perto de 25% de um mês de embarques, e voltaram ao nível anterior depois que os países retiraram as restrições. O Ebitda das duas empresas não sofreu efeito relevante, porque o volume foi vendido depois.

O ponto que muda a conta é a duração do bloqueio mexicano, que vale para todo o país, e uma eventual ampliação da China para além de Santa Catarina. Para quem tem uma única ação de frigorífico na carteira, quedas de 4% em um dia por notícia sanitária fazem parte do pacote; o teste de 2 minutos do site mostra quanto desse sobe e desce você aguenta sem vender no susto.

A zona de restrição e o que o México exige para liberar

O ministério precisa concluir a vigilância na área de restrição, que inclui Nova Itaberaba, Coronel Freitas, Nova Erechim e Águas Frias, e comunicar o fim do foco à Organização Mundial de Saúde Animal. Com isso, cada país decide quando volta a comprar. A ABPA, que reúne os exportadores, disse na quarta que ainda não tem estimativa de perda para os produtores catarinenses.

A doença de Newcastle passa para quem come frango?

Não. Segundo o Ministério da Agricultura, carne e ovos com selo de inspeção oficial seguem seguros para consumo. Em pessoas, o vírus pode causar no máximo uma conjuntivite passageira, e só por contato direto com aves doentes.

Quais países suspenderam o frango do Brasil por causa de Newcastle?

Até quarta-feira (21), México e Malásia suspenderam a compra de todo o Brasil. China, Chile e Arábia Saudita restringiram apenas os produtos de Santa Catarina.

Denis Miyabara

Denis Miyabara

Denis Miyabara é engenheiro de formação e sócio da EQI Investimentos. Criador do canal Investir e Coçar, no YouTube, onde explica investimentos sem enrolação para mais de 165 mil inscritos, e apresentador do Faria Lima Late Show. Escreve sobre ações, fundos imobiliários, ETFs e renda fixa — sempre abrindo a conta na tela, e deixando claro quando o número é projeção e quando já caiu no bolso.

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