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A Oncoclínicas (ONCO3) informou na sexta-feira (30) que credores donos de mais de R$ 3,5 bilhões em créditos aderiram ao plano de recuperação extrajudicial. Isso é 61,6% da base de cerca de R$ 5,7 bilhões, acima do mínimo de 50% que a Lei de Falências exige. Na véspera, o apoio era de 29,79%.
Com o quórum fechado, a rede de clínicas de câncer leva o plano à Justiça para ser homologado. Para quem tem a ação, a conta é outra: os créditos que já aderiram somam cerca de 4 vezes o que a empresa inteira vale na bolsa, e parte deles pode ser paga com ações novas.

Como a Oncoclínicas passou de 29,79% para 61,6% dos credores em um dia
Na quinta-feira (29), a companhia protocolou uma versão atualizada do plano na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. Segundo o Times Brasil, o texto trouxe só ajustes de redação, sem mudar as condições econômicas da versão anterior, e chegou com 29,79% de adesão.
No dia seguinte, novo fato relevante: a adesão foi a 61,6%. Pela base de R$ 5,7 bilhões, são cerca de R$ 1,8 bilhão em créditos que assinaram em 24 horas. A empresa não detalhou quais credores entraram. A base exclui as dívidas entre empresas do próprio grupo, como informaram o Money Times e o Seu Dinheiro.
O plano reúne dívidas sem garantia, as quirografárias, e dá ao credor opções de pagamento: troca da dívida por novos títulos, prazo mais longo, entrega de ativos da empresa, debêntures conversíveis em ações e quitação de parte do valor com ações da própria Oncoclínicas. Algumas opções têm desconto sobre o valor devido. A primeira versão, de agosto, cobria R$ 5,1 bilhões.
A dívida aprovada e o preço da ONCO3 lado a lado
| Item | Valor |
|---|---|
| Créditos no plano (sem intercompany) | cerca de R$ 5,7 bilhões |
| Créditos que aderiram até 30/10 | mais de R$ 3,5 bilhões (61,6%) |
| Adesão em 29/10 | 29,79% |
| ONCO3 no fechamento de 23/10 | R$ 1,06 |
| ONCO3 no fechamento de 30/10 | R$ 0,76 |
| Valor de mercado em 30/10 | R$ 862,7 milhões |
Os preços são do fechamento oficial da B3. O valor de mercado e o número de ações, 1,135 bilhão, são do Investidor10. Dividindo os R$ 3,5 bilhões que já aderiram pelo total de ações, dá R$ 3,08 de dívida aprovada para cada ação que fechou a sexta valendo R$ 0,76.
A ação caiu 28,3% entre 23 e 30 de outubro, a semana em que o Ibovespa perdeu 18% depois da eleição. Ou seja, o papel caiu mais que a bolsa justamente na semana em que o plano andou.
O que a homologação faz com quem tem ONCO3
Quem pôs R$ 1.000 em ONCO3 no último pregão de 2025, a R$ 2,71, tinha R$ 280 no fechamento desta sexta. A aprovação dos credores tira da mesa o cenário de ninguém receber, mas não diz quanto sobra para o acionista.
O ponto sensível são as duas saídas que pagam credor com papel. Se uma parte grande dos R$ 3,5 bilhões escolher receber em ações ou em debêntures que viram ações, o número de ações cresce e cada ação antiga fica dona de uma fatia menor da empresa. Os fatos relevantes não informam quantas ações novas podem sair, então o tamanho da diluição segue sem número.
O balanço deixa pouca folga para absorver isso: o patrimônio líquido era de R$ 16,46 milhões, segundo o Investidor10, menos de 2% do valor de mercado. A análise do plano antigo, com a dívida de R$ 5,7 bilhões comparada ao preço da ação, está no texto de 23 de outubro.
Daqui em diante, o rito segue o artigo 164 da Lei 11.101/2005. O juiz manda publicar um edital, e os credores têm 30 dias, contados dessa publicação, para contestar. Depois o plano vai para a decisão de homologação. A data do edital ainda não foi definida.
Se o plano for homologado, o credor que não assinou também fica preso a ele?
Sim, dentro dos créditos abrangidos. Homologado, o plano vincula a companhia, as controladas incluídas e todos os credores daquela base, inclusive quem não aderiu, como descreveu o Times Brasil. Por isso a empresa precisava passar dos 50%.
O acionista da ONCO3 vota esse plano?
Não. Na recuperação extrajudicial, quem aprova são os credores. O acionista acompanha de fora e sente o efeito pelo preço e pela quantidade de ações novas que o plano vier a emitir. Para comparar esse risco com um título que paga taxa conhecida, dá para simular na calculadora de renda fixa do site.
Dados: Money Times · Times Brasil · Investidor10 · B3 (COTAHIST)



