Raízen: para não ser diluído, quem tem R$ 280 em ações precisa pôr até R$ 4 mil

A Raízen aprovou o aumento de capital de até R$ 39,8 bilhões a R$ 0,25 por ação. Quem tem 1.000 ações da RAIZ55 (R$ 280) precisa de até R$ 4.014 para manter a fatia; quem não subscrever pode ficar com 6% dela.

⏰ 4 min de leitura

O conselho da Raízen aprovou nesta sexta-feira (6) o aumento de capital de até R$ 39,8 bilhões, com ações novas a R$ 0,25. Quem tinha a RAIZ55 no fechamento de hoje ganha o direito de comprar essas ações. Para usar todo o direito, 1.000 ações que valem R$ 280 pedem até R$ 4.014 de dinheiro novo, 14 vezes o valor da posição.

Quem não puser nada pode ficar com 6% da fatia que tem hoje, se a operação sair no tamanho máximo. A conta vem dos fatores de subscrição que a empresa publicou em 26 de outubro e bate com a diluição de até 94% que a própria Raízen informou nesta sexta.

Barras: o acionista da Raízen que não exercer o direito de preferência fica com 43% da fatia atual se o aumento for o mínimo de R$ 3,5 bi e com 6% se chegar a R$ 39,8 bi
Fonte: Raízen, aumento de capital aprovado em 6/11/2026.

Shell sozinha cobre o piso de R$ 3,5 bi do aumento da Raízen

A operação tem piso de R$ 3,5 bilhões e teto de R$ 39,8 bilhões, segundo o InvestNews. O piso tem dono: a Shell se comprometeu a pôr até R$ 3,5 bilhões em dinheiro. A Aguassanta, de Rubens Ometto, fundador da Cosan, pode entrar com mais R$ 500 milhões se aderir.

O resto do teto não é dinheiro novo. Credores do plano de recuperação extrajudicial podem trocar o que têm a receber por ações, de acordo com o Times Brasil. A empresa reduz a dívida, e o credor vira sócio. A própria Cosan já avisou que não vai usar seu direito nas ações preferenciais classe B, e está tentando levantar caixa vendendo 25% da Compass.

O dinheiro que entrar vai primeiro para o capital de giro: até R$ 5 bilhões se a Aguassanta participar, até R$ 4,5 bilhões se não. Do que passar disso, 70% paga dívida e 30% fica no caixa.

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Os números da emissão de ações a R$ 0,25

Item Valor
Preço por ação nova (ON ou PNB) R$ 0,25
Preço por unit (1 ON + 1 PNA) R$ 0,50
Fechamento da RAIZ55 em 6/11 (por ação) R$ 0,28
Ações novas, mínimo e máximo 14 bilhões a 159,2 bilhões
Diluição de quem não subscrever cerca de 57% a 94%

A RAIZ55 fechou a sexta a R$ 28 por lote de 100 ações, segundo a B3, ou R$ 0,28 por ação. O preço da emissão fica 10,7% abaixo disso. No dia 3, na estreia do código novo, o papel chegou a ser negociado a R$ 0,21, abaixo do preço das ações novas.

Quanto custa para a RAIZ55 de 1.000 ações não encolher

Os fatores divulgados em 26 de outubro, citados pelo NovaCana, dizem quanto cada ação dá direito a comprar no cenário máximo: 153,5897% em ações ordinárias, 153,5897% em preferenciais classe B e 649,3029% em units. Para quem tem 1.000 ações, a soma fica assim:

  • 1.535 ações ordinárias a R$ 0,25: R$ 383,97;
  • 1.535 preferenciais classe B a R$ 0,25: R$ 383,97;
  • 6.493 units a R$ 0,50: R$ 3.246,51.

São cerca de R$ 4.014 para quem hoje tem R$ 280 no papel. Quem usa tudo continua com o mesmo pedaço da empresa. Quem não usa nada fica com o equivalente a cerca de 60 das 1.000 ações, em fatia do capital, se o teto for atingido. Se a emissão parar no mínimo, a fatia cai para cerca de 430.

Há uma terceira saída: o direito de subscrição também é negociado na B3, em lotes de 100, e quem não quer pôr dinheiro pode vendê-lo durante o prazo. A Raízen ainda não divulgou os códigos desses direitos. As preferenciais classe B não vão ser negociadas em bolsa, e a empresa diz que as units devem ser o papel com mais liquidez depois da operação.

As datas da Raízen entre 9 de novembro e 31 de março

Na segunda-feira (9), a ação passa a ser negociada sem o direito, e quem comprar a partir daí não participa. O prazo para subscrever vai de 9 de novembro a 8 de dezembro. A homologação está prevista para 16 de dezembro, e as ações novas devem cair na conta em 18 de dezembro, num cronograma que a empresa chama de indicativo. Os donos de debêntures e CRAs da Raízen escolhem a forma de recebimento entre 7 e 27 de dezembro, e a reestruturação deve fechar até 31 de março de 2027.

Por que a diluição é tão grande se o preço da ação nova é quase o da bolsa?

Porque o tamanho pesa mais que o preço. No teto, a Raízen emite cerca de 15 ações novas para cada ação que existe hoje. Mesmo comprando barato, quem fica de fora vira minoria dentro de uma empresa com muito mais papéis.

Quem não exerce o direito perde dinheiro na hora?

Não necessariamente: a fatia encolhe, mas a empresa recebe dinheiro e troca dívida por ações. O que muda é quanto do lucro futuro cabe a cada ação antiga. Se esse tipo de risco tira o sono, o quiz Perfil de Cagaço mede em 2 minutos quanto dele cabe na carteira.

Dados: Money Times · InvestNews · NovaCana · B3 (cotações históricas)

Denis Miyabara

Denis Miyabara

Denis Miyabara é engenheiro de formação e sócio da EQI Investimentos. Criador do canal Investir e Coçar, no YouTube, onde explica investimentos sem enrolação para mais de 165 mil inscritos, e apresentador do Faria Lima Late Show. Escreve sobre ações, fundos imobiliários, ETFs e renda fixa — sempre abrindo a conta na tela, e deixando claro quando o número é projeção e quando já caiu no bolso.

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