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O dólar fechou esta sexta-feira (6) a R$ 5,5087 no mercado à vista, alta de 0,37% no dia e de 1,18% na semana, segundo o Money Times. Pela Ptax do Banco Central, a taxa de referência calculada pelo BC, a moeda terminou a R$ 5,5013, o maior valor de 2026 e praticamente o mesmo do último dia de 2025 (R$ 5,5024). Toda a queda que o dólar tinha acumulado no ano, que chegou a 11% em maio, sumiu em duas semanas.
Quase toda a virada coube num pregão só. Na sexta antes do 2º turno (23 de outubro), a Ptax estava em R$ 5,0377. Na segunda seguinte (26), primeiro dia útil depois da votação, pulou para R$ 5,5007: 9,2% num dia. Recuou para R$ 5,33 na terça e voltou a subir até esta sexta, puxada pela dúvida do mercado sobre o ajuste fiscal do novo mandato de Lula e, hoje, pelo emprego forte nos Estados Unidos.

Payroll e Fed empurraram o dólar acima de R$ 5,50
O real chegou a ensaiar uma queda do dólar de manhã, depois de a moeda americana subir 0,68% na quinta. O que mudou o dia foi o payroll, o relatório de emprego dos EUA: 165 mil vagas criadas em outubro, contra 60 mil esperadas pelas projeções reunidas pelo Broadcast. Emprego forte assim aumenta a chance de o Federal Reserve, o banco central americano, subir os juros em dezembro, e juro maior lá atrai dinheiro para o dólar no mundo todo. O índice DXY, que mede a moeda americana contra seis outras, subia 0,76% no fim da tarde.
Aqui, a moeda chegou à máxima de R$ 5,5345 durante o pregão. A bolsa foi na direção contrária: o Ibovespa subiu 1,39%, a 168.498 pontos, e fechou a semana com alta de 0,34%, a primeira positiva depois de três, de acordo com o InfoMoney.
O dólar Ptax em quatro datas de 2026
| Data | Ptax de venda | US$ 1.000 custavam |
|---|---|---|
| 31/12/2025 | R$ 5,5024 | R$ 5.502,40 |
| 11/05/2026 (mínima do ano) | R$ 4,8973 | R$ 4.897,30 |
| 23/10/2026 (antes do 2º turno) | R$ 5,0377 | R$ 5.037,70 |
| 06/11/2026 | R$ 5,5013 | R$ 5.501,30 |
Quem deixou para pagar em dólar depois da eleição sentiu na hora. Uma compra de US$ 1.000, como uma passagem para os EUA ou a fatura de um curso no exterior, ficou R$ 463,60 mais cara do que na sexta antes do 2º turno, sem contar IOF e o spread do banco. Em relação à mínima de maio, a diferença passa de R$ 600.
Real fraco: o que muda para quem tem BDR, NASD11 e renda fixa
Para quem tinha reais trocados em dólar desde 23 de outubro, a conta foi boa: R$ 10 mil viraram R$ 10.920 pela Ptax, ganho de 9,2% em duas semanas, antes de custos de câmbio. No mesmo período, de 26 de outubro a quinta-feira (5), o CDI rendeu 0,41% pela taxa diária do Banco Central, e os mesmos R$ 10 mil chegariam a R$ 10.041. A moeda entregou em nove pregões o que o CDI de 13,65% ao ano (taxa de novembro de 2026) leva mais de oito meses para render.
Isso não quer dizer que quem tem ativo lá fora ganhou o mesmo. BDRs e ETFs como o NASD11 sobem com o dólar, mas descem com a bolsa americana, e as duas coisas aconteceram juntas nesta semana. O índice de BDRs da B3 caiu 1,95% na semana mesmo com o dólar subindo 1,18%, porque as ações de tecnologia apanharam em Nova York. Foi o que já tinha acontecido com o NASD11 na quinta: o câmbio segurou parte da queda, não toda.
Na renda fixa, o efeito vem pela inflação. Dólar mais caro encarece combustível, trigo e eletrônico importado, e isso costuma aparecer no IPCA alguns meses depois. Quem quer ver quanto a Selic de 13,75%, em vigor em novembro de 2026, rende líquido contra a inflação pode testar os números na calculadora de renda fixa do site.
CPI americano e IPCA na próxima semana
Dois números podem mexer de novo com o câmbio. Na terça-feira (10), sai a inflação ao consumidor dos EUA (CPI), que reforça ou enfraquece a aposta de alta de juros do Fed em dezembro. Na quinta (12), o IBGE divulga o IPCA de outubro.
O dólar a R$ 5,50 desfaz o ganho de quem trocou reais por dólar no começo do ano?
Quem comprou no fim de 2025 está no zero a zero: R$ 5,5024 em 31 de dezembro contra R$ 5,5013 agora, pela Ptax. De 2 de janeiro a quinta-feira (5), o mesmo dinheiro no CDI rendeu 11,9%, então quem ficou em reais na renda fixa saiu na frente.
Por que a Ptax é diferente da cotação que aparece no fechamento?
A Ptax é a média que o Banco Central calcula a partir de quatro consultas aos bancos durante o dia, e serve de referência para contratos e para o Tesouro. O fechamento à vista é o último negócio do dia, por isso hoje ficou em R$ 5,5087, um pouco acima dos R$ 5,5013 da Ptax.



