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O Brasil exportou US$ 37,8 bilhões em outubro, 20% a mais que um ano antes, e o petróleo bruto ficou com US$ 4,70 bilhões do aumento, segundo o MDIC, que divulgou os dados nesta sexta-feira (6). Como a alta total foi de cerca de US$ 6,3 bilhões, o óleo explica 3 de cada 4 dólares do avanço. Para quem tem PRIO3 ou PETR4, o dado mostra quanto desse crescimento passa pelo imposto de exportação de 12%.

US$ 4,70 bi a mais em petróleo, e o resto do país somou só US$ 1,60 bi
O MDIC informa que as vendas de óleos brutos de petróleo cresceram 122,6% sobre outubro de 2025, o que representa quase US$ 5 bilhões a mais, segundo a cobertura do g1 e a da Reuters publicada pelo Money Times. A indústria extrativa, onde o petróleo está, subiu 53,5% e somou US$ 11,52 bilhões. O que sobra, de soja a carnes de aves, celulose e café, acrescentou cerca de US$ 1,60 bilhão, menos de um terço do que veio só do petróleo.
Em reais, o aumento do petróleo equivale a cerca de R$ 25,7 bilhões, no dólar Ptax de R$ 5,4621 da quinta-feira (5).
Os números da balança comercial de outubro
| Item | Outubro de 2026 | Variação sobre outubro de 2025 |
|---|---|---|
| Saldo (superávit) | US$ 9,318 bi | +39,4% (era US$ 6,68 bi) |
| Exportações | US$ 37,807 bi | +20,0% |
| Importações | US$ 28,490 bi | +14,8% |
| Exportações para os EUA | US$ 4,316 bi | +87,0% |
| Exportações para a China | US$ 8,59 bi | −5,3% |
| Superávit em 10 meses | US$ 71,04 bi | +34,1% |
O saldo veio um pouco acima do esperado pelo mercado, que previa perto de US$ 9 bilhões, de acordo com a TradeMap. O Money Times, com texto da Reuters, aponta que o preço médio das exportações subiu 10,8% e o volume, 7,3%.
Petróleo também está por trás do salto de 87% nas vendas aos EUA
As exportações para os Estados Unidos chegaram a US$ 4,316 bilhões, contra US$ 2,307 bilhões em outubro de 2025, de acordo com o InfoMoney. Herlon Brandão, diretor de estatísticas do MDIC, disse que mais da metade do aumento veio do petróleo bruto, que foi de US$ 195 milhões para US$ 1,3 bilhão. Os EUA passaram de 7,3% para 11,4% das vendas externas do país, enquanto a China caiu de 28,8% para 22,7%.
O próprio Brandão ponderou que ainda não dá para dizer que os efeitos do tarifaço de Donald Trump foram superados. Na conta de janeiro a outubro, as vendas aos EUA subiram só 0,2%.
O que isso muda para PRIO3 e PETR4 com o imposto de 12%
O imposto de 12% sobre a exportação de petróleo bruto existe desde março e estava em vigor em outubro, e mesmo assim o valor exportado mais que dobrou. Se toda a alta de US$ 4,70 bilhões tivesse pago a alíquota cheia, o governo teria recebido cerca de US$ 564 milhões, ou R$ 3,1 bilhões. É uma conta de teto, feita aqui, e não um dado da Receita.
A exposição varia muito. Segundo o JPMorgan, citado no nosso texto sobre a PRIO3, a PRIO vende para fora praticamente todo o óleo que produz, e no 3º trimestre o imposto levou 23% do lucro dela. Na Petrobras, cerca de 20% da receita vem da exportação de óleo, e na Brava (BRAV3), de 30% a 40% da produção vai para fora. A balança de outubro não separa as exportações por empresa.
O imposto vale até 31 de dezembro
A Camex prorrogou a cobrança até 31 de dezembro, a partir de sábado (7), com a justificativa de manter óleo no país para abastecer as refinarias. São 55 dias de cobrança, de 7 de novembro a 31 de dezembro, sobre um produto que está vendendo mais.
O que mais pesa: o volume ou o preço do petróleo?
Os dados de outubro não separam os dois só para o petróleo. Para o conjunto das exportações, o preço médio subiu 10,8% e o volume 7,3%, então os dois ajudaram. Para saber qual pesou mais no óleo, é preciso esperar o detalhamento por produto do MDIC.
Superávit alto quer dizer que o dólar cai?
Não necessariamente. O superávit entra no câmbio pelo fluxo de dólares, mas juros, política fiscal e o humor lá fora pesam no mesmo preço. Um mês forte de exportação ajuda, sem decidir sozinho para onde o dólar vai.
Dados: g1 · InfoMoney · Money Times/Reuters · TradeMap



