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O Safra rebaixou o Banco do Brasil de neutro para venda, em revisão noticiada nesta sexta-feira (6), e cortou o preço-alvo da BBAS3 de R$ 26 para R$ 19. O detalhe é que a ação fechou o dia a R$ 17,10, então mesmo o alvo de quem manda vender fica 11% acima da cotação. Bradesco e Itaú também perderam a nota de compra na mesma revisão.
A explicação está na distância que a ação já andou. No último pregão antes do 2º turno, em 23 de outubro, a BBAS3 valia R$ 24,72. O alvo antigo, de R$ 26, pedia só 5% de alta sobre aquele preço. O novo alvo chega depois de uma queda de 31%, com o Safra esperando um 2027 mais difícil para os bancos.

Por que o Safra ficou pessimista com os bancos para 2027
Os analistas Daniel Vaz e Rafael Nobre trabalham com crédito mais fraco, custo de inadimplência maior e risco de recessão em 2027, segundo o relatório descrito pelo Seu Dinheiro. Pesam ainda os vencimentos dos empréstimos a pequenas e médias empresas com garantia do governo, que devem obrigar os bancos a reservar mais dinheiro para calote no curto prazo.
No BB, a conta piora por causa do capital. Pelos cálculos do Safra, o banco teve prejuízo de R$ 8,2 bilhões antes dos impostos no 1º semestre de 2026, e o patrimônio líquido tangível caiu de 52% para 42% em um trimestre. O agro segue no centro do problema: só 75% dos pagamentos estavam em dia em julho, sem melhora desde então. Foi o segundo rebaixamento para venda do BB em uma semana, depois do Citi.
Os preços-alvo cortados de BBAS3, BBDC4 e ITUB4
| Ação | Nota antes → agora | Alvo antigo | Alvo novo | Preço em 6/11 | Distância até o alvo |
|---|---|---|---|---|---|
| BBAS3 | neutra → venda | R$ 26 | R$ 19 | R$ 17,10 | +11% |
| BBDC4 | compra → neutra | R$ 22 | R$ 17 | R$ 14,14 | +20% |
| ITUB4 | compra → neutra | R$ 51 | R$ 47 | R$ 40,59 | +16% |
Fonte: Safra, via Money Times e Seu Dinheiro (6/11/2026); cotações da B3 no fechamento de 6/11/2026.
O Itaú segue como o banco mais defensivo para o Safra: o corte nas projeções de lucro é de cerca de 5% nos próximos dois anos, e o patrimônio tangível equivale a 55% da carteira. No Bradesco, o aumento de capital de R$ 10 bilhões serve de colchão, mas o banco depende dos programas para pequenas empresas que o governo pode reduzir. Entre os digitais, só o Nubank manteve a nota de compra, com alvo cortado de US$ 19 para US$ 15 em Nova York. O Inter ficou neutro, com alvo de US$ 5, contra US$ 7.
Quanto vale quem tem 500 ações da BBAS3
Quem tinha 500 ações do Banco do Brasil antes do 2º turno via R$ 12.360 na corretora. Nesta sexta, o mesmo lote vale R$ 8.550. Se a ação chegar aos R$ 19 do novo alvo, ele volta a R$ 9.500: recupera R$ 950 dos R$ 3.810 perdidos e ainda fica R$ 2.860 abaixo de 23 de outubro.
Os 11% até o alvo também ficam abaixo do CDI de 13,65% ao ano em 5 de novembro de 2026, segundo o Banco Central, se o prazo for de um ano. As reportagens não informam o prazo do alvo. Para ver quanto os mesmos R$ 8.550 renderiam num CDB ou no Tesouro Selic, já com o imposto descontado, dá para usar a calculadora de renda fixa.
O dividendo, que segurava muita gente na BBAS3, também entrou na lista de riscos. Segundo o Safra, a exigência de capital pode limitar o pagamento aos acionistas em 2027. Por aqui, a queda de 29% do BB num pregão já tinha mostrado quanto do preço dependia desse dividendo.
Se o alvo está acima do preço, por que a nota é de venda?
Em geral, a nota de um analista compara a alta esperada com o risco e com o que o dinheiro rende em outro lugar. As reportagens não detalham o critério do Safra, mas os 11% até o alvo ficam abaixo do CDI de 13,65% ao ano, e o relatório põe capital e dividendo do BB entre os riscos.
O rebaixamento derrubou a ação nesta sexta?
Não. A BBAS3 subiu de R$ 16,49 para R$ 17,10 no dia, alta de 3,7%, em linha com BBDC4 e ITUB4, que também subiram. A ação segue 31% abaixo de 23 de outubro.
Dados: Money Times · Seu Dinheiro · BCB, CDI (SGS 4389)



