⏰ 4 min de leitura
A Cosan negocia a venda de 25% da Compass, dona da distribuidora de gás Comgás, para uma gestora ligada ao governo de Abu Dhabi, segundo o Pipeline, do Valor. Pelas contas do Bradesco BBI, a fatia vale cerca de R$ 3,5 bilhões, o equivalente a 38% da dívida líquida de R$ 9,2 bilhões que a holding tinha no fim de junho. Nesta sexta-feira (6), a CSAN3 marcava R$ 2,75 às 15h38, alta de 10% no dia e de 21% desde o fechamento de terça (3).
A alta não apaga o tombo da eleição. A ação fechou a R$ 5,20 na sexta antes do 2º turno (23 de outubro) e caiu 46,7% no primeiro pregão depois dele. Para voltar àquele preço, ainda precisa subir 89%.

A venda de 25% da Compass que a Cosan negocia com Abu Dhabi
Segundo o Valor, a operação seria uma venda privada, e não uma nova oferta de ações na bolsa, porque o mercado anda pouco receptivo. A Cosan disse a jornalistas que não vai comentar e, até a tarde desta sexta, não havia publicado fato relevante. Ou seja: a negociação existe pela apuração da imprensa, sem preço nem comprador confirmados pela empresa.
A Cosan tem 76,18% da Compass, conforme o balanço do 2º trimestre citado pela TradeMap. Se vender os 25%, fica com cerca de 51%, o suficiente para seguir mandando na empresa. É a segunda vez no ano que a holding se desfaz de um pedaço da Compass: em maio, uma oferta na bolsa rendeu cerca de R$ 2,3 bilhões líquidos. A conta da fatia de agora indica que o mercado põe a Compass inteira perto de R$ 14 bilhões.
Quanto os R$ 3,5 bi tiram da dívida da Cosan
A dívida é o motivo da pressa. Em outubro, a conversa para vender parte da Rumo terminou sem acordo, e a empresa avisou que segue avaliando “alternativas em todos seus ativos”. Dias depois, fechou com a Receita o acordo que cortou cerca de R$ 3,2 bilhões das contingências tributárias ligadas à Raízen, com desembolso de uns R$ 200 milhões.
| Conta da Cosan | Valor |
|---|---|
| Dívida líquida da Cosan (junho) | R$ 9,2 bilhões |
| Dívida com o derivativo (TRS) ligado às ações da Rumo | R$ 12,2 bilhões |
| Valor estimado dos 25% da Compass (Bradesco BBI) | R$ 3,5 bilhões |
| Quanto a venda cobriria da dívida | 38% (ou 29% com o TRS) |
| Fatia da Cosan na Compass | 76,18% hoje, 51,18% depois |
O BBI avalia que uma venda privada pode sair com prêmio sobre a cotação, o que aumentaria o pedaço da dívida coberto. Sem preço anunciado, a conta acima usa o valor de mercado.
O que a alta muda para quem tem CSAN3 e PASS3
Quem tinha R$ 10 mil em CSAN3 no fechamento de 23 de outubro estava com cerca de R$ 5.290 às 15h38 desta sexta. Os três pregões de alta (5,3% na quarta, 4,6% na quinta e 10% nesta sexta) devolveram cerca de R$ 920 desse valor, que tinha chegado a R$ 4.365 na terça. No ano, a ação ainda perde cerca de 48%, já que fechou 2025 a R$ 5,32.
Na PASS3 o movimento é menor. A ação da Compass subia 5% e valia R$ 20,58 na mesma hora, cerca de 25% abaixo dos R$ 27,28 de 23 de outubro. Para a Compass, a venda troca um sócio; para a Cosan, troca uma fatia por caixa que abate dívida. Quem quer entender quanto aguenta ver o patrimônio cair pela metade em um pregão tem no site um teste de 2 minutos sobre o tanto de risco que cada um suporta.
Se a venda sair, o dinheiro vai para o acionista da Cosan?
Nada foi anunciado nesse sentido. O próprio histórico do ano (a oferta da Compass em maio e a tentativa de vender parte da Rumo) aponta para abater dívida, e não para distribuir dividendos.
Por que a CSAN3 sobe o dobro da PASS3 com a mesma notícia?
A Cosan é uma holding endividada que perdeu metade do valor em duas semanas. Cada bilhão que entra e reduz a dívida pesa muito mais sobre uma ação de R$ 2,75 do que sobre a Compass, que só ganha um sócio novo e não recebe o dinheiro da venda. Quem acompanha a empresa também pode rever como foi a estreia da PASS3 na bolsa.
Dados: Valor Investe · TradeMap · Seu Dinheiro



