Embraer vende 3 KC-390 à Grécia por até US$ 595 milhões: quanto isso pesa na EMBJ3

Grécia assinou a compra de três KC-390 com opção para mais três. O teto autorizado por Portugal, de US$ 595 milhões, equivale a quase 10% da carteira de Defesa da Embraer.

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A Grécia assinou nesta segunda-feira (2) a compra de três cargueiros KC-390 da Embraer (EMBJ3), com opção para mais três. O comunicado da fabricante não traz valor, mas o governo de Portugal, que intermedia o negócio, autorizou até € 532,89 milhões pelos aviões e por um pacote de apoio logístico. No câmbio de 30 de outubro, são cerca de US$ 595 milhões, ou R$ 3,2 bilhões.

Se o contrato chegar perto desse teto, a venda equivale a quase 10% dos US$ 6,1 bilhões da carteira de Defesa e a 1,7% dos US$ 35,7 bilhões da carteira total, registrados no fim de setembro. Com a B3 fechada por Finados, a EMBJ3 só reage na terça-feira (3).

Como a Grécia comprou o KC-390 passando por Portugal

Em 2025, ao encomendar seu sexto KC-390, Portugal garantiu o direito de comprar até dez aviões adicionais para países europeus e da Otan. Os gregos são os primeiros a usar essa porta: Lisboa contrata a Embraer e repassa as aeronaves a Atenas, e a despesa portuguesa é paga com o dinheiro que a própria Grécia desembolsa.

O primeiro avião chega em 2027 e a frota grega de C-130 Hercules, que vem tendo problemas de disponibilidade, ganha um reforço. A Grécia vira o sétimo país europeu a escolher o modelo, depois de Portugal, Hungria, Holanda, Áustria, República Tcheca e Suécia.

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Até US$ 198 milhões por avião: o preço do KC-390 grego contra as estimativas

Dividido por três, o teto português dá € 177,6 milhões por aeronave, cerca de US$ 198 milhões ou pouco mais de R$ 1 bilhão cada. É bem mais do que os bancos vinham usando para calcular outras encomendas do mesmo avião:

Encomenda Aviões Valor Por avião
Grécia (teto autorizado, com apoio logístico) 3 US$ 594,9 milhões US$ 198,3 milhões
Eslováquia (estimativa do Safra, sem contrato) 3 US$ 400 milhões US$ 133 milhões
Emirados (estimativa do Safra, só o avião) 10 US$ 1,25 bilhão US$ 125 milhões

Fonte: Resolução 207/2026 de Portugal, convertida pela Ptax de 30/10/2026 (€ 1 = US$ 1,1164); estimativas do Safra publicadas em maio e outubro de 2026.

A diferença de 49% para a conta da Eslováquia pede cuidado. O número grego é um limite de gasto e inclui apoio logístico, enquanto as estimativas tentam medir o avião. As contas dos próprios analistas também variam muito: para os Emirados, o Citi usou cerca de US$ 70 milhões por unidade, pouco mais da metade do Safra, porque considerou a versão só de carga.

Fora desse teto, Portugal autorizou outros € 57,08 milhões para guerra eletrônica, treinamento, equipes técnicas na Grécia e gestão do programa. O pacote inteiro soma € 589,98 milhões, com despesas previstas até 2031. Esse pedaço não entra na conta da Embraer aqui, porque a resolução não diz quanto dele vai para a fabricante.

O que a venda à Grécia muda na conta de quem tem EMBJ3

A carteira é dinheiro contratado que ainda vai virar receita. O balanço de setembro listava 43 pedidos firmes de KC-390. Como a assinatura veio depois desse fechamento, os três gregos devem elevar a fila para 46 na próxima atualização. Para comparar: no ritmo de cerca de cinco entregas por ano que o Citi citou em maio, 46 aviões ocupam mais de nove anos de fábrica. A conta ignora qualquer aumento de produção, mas mostra por que o ritmo da fábrica pesa tanto quanto a venda.

O papel chega à reabertura da B3 depois de uma semana forte. A EMBJ3 fechou a R$ 99,62 em 30 de outubro, 12,8% acima dos R$ 88,35 de 23 de outubro, com a alta do dólar puxando as exportadoras. Em Nova York, onde houve pregão, o ADR da empresa subia 3,5% por volta das 11h45 desta segunda, a US$ 76.

O pedido grego vem dez dias depois de outro número de carteira: em 23 de outubro, a Embraer informou recorde de US$ 35,7 bilhões em pedidos, mesmo sem contar a Eslováquia.

Balanço da Embraer em 10 de novembro e a Eslováquia na fila

A próxima data é 10 de novembro, quando sai o resultado completo do 3º trimestre. Ali aparece se as entregas estão virando margem. Os números do pedido grego só devem entrar na carteira do 4º trimestre, e a Eslováquia segue sem contrato assinado.

Os US$ 595 milhões já são receita da Embraer?

Não. Carteira é encomenda a faturar: a receita entra conforme os aviões e serviços são entregues. A autorização portuguesa distribui as despesas de 2026 a 2031, então o valor não cai de uma vez em um trimestre só.

As três opções da Grécia entram nessa conta?

Não. Opção é direito de compra, sem pedido firme. Pelo mesmo preço, elas somariam mais US$ 595 milhões, mas o valor delas não foi divulgado. Em julho, o ministro grego da Defesa, Nikos Dendias, chamou os três aviões de primeiro passo.

Dados: Ptax do Banco Central, 30/10 · Comunicado da Embraer · Yahoo Finance (EMBJ e EMBJ3)

Denis Miyabara

Denis Miyabara

Denis Miyabara é engenheiro de formação e sócio da EQI Investimentos. Criador do canal Investir e Coçar, no YouTube, onde explica investimentos sem enrolação para mais de 165 mil inscritos, e apresentador do Faria Lima Late Show. Escreve sobre ações, fundos imobiliários, ETFs e renda fixa — sempre abrindo a conta na tela, e deixando claro quando o número é projeção e quando já caiu no bolso.

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