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A economia dos Estados Unidos cresceu a um ritmo anualizado de 3,4% no terceiro trimestre de 2026, acima dos 3,2% que o mercado esperava e bem acima dos 2,2% do trimestre anterior. No mesmo pacote, divulgado nesta quinta-feira (29) pelo Departamento de Comércio, a inflação PCE, a preferida do Federal Reserve, subiu 0,5% em setembro e chegou a 3,6% em 12 meses. Com o juro do Fed no teto de 4%, sobra ao dólar só 0,4% ao ano acima dos preços.

A economia americana acelerou com investimento e governo
O número de 3,4% assusta menos quando se olha o trimestre sozinho. Na comparação direta com abril a junho, o PIB americano avançou 0,8%. A taxa anualizada responde a outra pergunta: quanto a economia cresceria em um ano se esse ritmo durasse os quatro trimestres.
Segundo o relatório, a aceleração veio do investimento das empresas, puxado por estoques e pela compra de computadores e periféricos, e da volta dos gastos do governo. O consumo das famílias também ajudou, com saúde, restaurantes e hotéis à frente. A queda das exportações e a alta das importações seguraram parte do avanço, como mostrou a Money Times.
PIB, PCE e renda: os números de setembro
| Indicador | Resultado | Esperado |
|---|---|---|
| PIB do 3º trimestre (anualizado) | 3,4% | 3,2% |
| PCE em setembro (mês) | 0,5% | 0,5% |
| PCE em 12 meses | 3,6% | 3,7% |
| Núcleo do PCE em 12 meses | 3,1% | 3,1% |
| Renda pessoal (mês) | 0,2% | 0,3% |
| Gastos com consumo (mês) | 0,5% | 0,6% |
O detalhe que pesa para o consumidor americano está nas duas últimas linhas. Os gastos subiram mais que a renda, e a taxa de poupança caiu para 3,8%. Descontada a inflação, o consumo de setembro ficou praticamente parado, com variação abaixo de 0,1%, segundo a TradeMap. A família gastou US$ 113,1 bilhões a mais no mês e levou para casa quase a mesma quantidade de coisas.
O alvo do Fed para o PCE é 2% ao ano. Com o núcleo em 3,1%, o banco central segue longe dele. Na quarta-feira (28), um dia antes do dado, o Fed manteve os juros na faixa de 3,75% a 4%, decisão que o site detalhou aqui. O presidente do Fed, Kevin Warsh, disse que o período à frente será “rico em informações”, conforme citado pela Times Brasil.
Juro real de 0,4% no dólar contra 8,8% na Selic
A conta que interessa a quem investe é o juro que sobra depois da inflação. Pela mesma régua dos dois lados, taxa básica contra inflação de 12 meses até setembro:
Nos EUA, o juro de 4% do Fed contra o PCE de 3,6% deixa 0,4% ao ano de ganho real. Quem deixa US$ 1.000 parados nesse juro por um ano termina com cerca de US$ 3,86 a mais em poder de compra. É o preço de um café.
No Brasil, a Selic de 13,75% em outubro de 2026 (Banco Central) contra o IPCA de 4,58% nos 12 meses até setembro de 2026 dá 8,8% ao ano de juro real. Os mesmos R$ 1.000 rendem perto de R$ 87,70 acima da inflação, cerca de 22 vezes o ganho real do lado americano.
Essa distância é parte do que segura o real. Quando a economia americana roda forte e a inflação não cede, o Fed tem menos espaço para cortar, e a diferença entre os juros deixa de crescer a favor do Brasil. Nesta quinta, o dólar abriu em alta, perto de R$ 5,36, segundo o Valor Investe. Para comparar quanto a renda fixa daqui rende no seu prazo, a calculadora de renda fixa do site faz a conta com a Selic atual.
Segunda leitura do PIB americano sai em 25 de novembro
O número de 3,4% é a primeira estimativa. A revisão do PIB do terceiro trimestre está marcada para 25 de novembro, segundo o calendário do Departamento de Comércio. No mesmo dia do dado americano, a Europa também mexeu no cenário de juros com a saída anunciada de Christine Lagarde do BCE.
Por que o PIB cresce 3,4% se o trimestre subiu só 0,8%?
Porque os EUA divulgam o PIB em taxa anualizada: pegam o avanço do trimestre e projetam como se ele se repetisse por um ano. No Brasil, o IBGE destaca a comparação com o trimestre anterior, por isso os números parecem menores aqui.
Juro real baixo nos EUA quer dizer que aplicar em dólar não compensa?
Não necessariamente. Quem guarda parte do patrimônio em dólar busca proteção contra o real e acesso a outras empresas, não o juro. O que os números mostram é que, hoje, o ganho acima da inflação na renda fixa americana é pequeno, e a maior parte do resultado em reais depende do câmbio.



