R$ 100 mil no prefixado ou no pós-fixado: o CDI médio de 12,55% que decide quem leva mais até 2029

Tesouro Prefixado 2028, 2029 e 2032 contra o pós-fixado de 100% do CDI: o CDI médio de empate, R$ 100 mil em cada até o vencimento com a Selic do Focus, mais baixa e mais alta, e o risco de vender antes.

⏰ 9 min de leitura

Atualizado em 8 de outubro de 2026, com as taxas do Tesouro Direto de 06/10/2026 e o Focus de 02/10/2026.

O Tesouro Prefixado 2029 paga 12,55% ao ano, travados até 1º de janeiro de 2029. O pós-fixado acompanha o CDI, que hoje está em 13,65% ao ano. Olhando só esses dois números, o pós ganha. Só que o CDI de hoje não é o CDI dos próximos dois anos: o mercado espera a Selic caindo de 13,75% para 10,50% até o fim de 2028. A pergunta certa é outra: qual CDI médio faz os dois empatarem, e o que acontece com R$ 100 mil se a Selic cair mais, igual ou menos do que o mercado espera.

Resposta curta: o prefixado rende mais se o CDI médio até o vencimento ficar abaixo da taxa travada (12,55% ao ano no 2029); o pós rende mais se ficar acima. Com a Selic que o Focus projeta, R$ 100 mil no Prefixado 2029 chegam a R$ 125.281 líquidos, contra R$ 124.227 no pós, R$ 1.054 de diferença. Se a Selic cair menos, o pós vira o jogo e entrega R$ 1.287 a mais. O prefixado só entrega a taxa prometida para quem segura até o vencimento.

Qual a diferença entre prefixado e pós-fixado?

É a mesma pergunta de sempre na renda fixa: quem fica com o risco dos juros mudarem, você ou quem pegou seu dinheiro emprestado.

  • Prefixado paga uma taxa fechada no dia da compra. No Tesouro Prefixado, cada título vale R$ 1.000 no vencimento, e você sabe hoje quanto vai receber. Se a Selic despencar, sua taxa continua lá. Se a Selic subir, também.
  • Pós-fixado paga um percentual de um índice que muda todo dia, quase sempre o CDI (a taxa que os bancos cobram entre si, colada na Selic). Um CDB de 100% do CDI rende 13,65% ao ano enquanto o CDI estiver em 13,65%. Quando o Copom corta a Selic, o rendimento cai junto, no dia seguinte.

Pense num aluguel. Prefixado é fechar contrato de três anos com valor fixo: se os aluguéis da rua caírem, você continua recebendo o valor cheio. Pós-fixado é renegociar todo mês pelo preço da rua: se a rua sobe, você ganha junto; se cai, você recebe menos.

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Qual CDI faz o prefixado e o pós-fixado empatarem?

A conta do empate é direta. O prefixado empata com um pós de 100% do CDI se o CDI médio até o vencimento for igual à taxa travada. Abaixo disso, o prefixado entrega mais. Acima, o pós.

Com as taxas de compra do Tesouro Direto de 06/10/2026, os empates ficam assim:

  • Prefixado 2028: CDI médio de 12,56% ao ano até 01/01/2028.
  • Prefixado 2029: CDI médio de 12,55% ao ano até 01/01/2029.
  • Prefixado 2032: CDI médio de 12,71% ao ano até 01/01/2032.

Agora o outro lado. O Boletim Focus de 02/10/2026, que reúne as projeções de cerca de 140 instituições, espera a Selic em 13,50% no fim de 2026, 12,00% no fim de 2027, 10,50% no fim de 2028 e 10,00% em 2029 e 2030. Com o CDI 0,10 ponto abaixo da Selic, como está hoje, isso dá um CDI médio de 12,80% até 2028, 12,06% até 2029 e 10,86% até 2032.

Traduzindo: até 2028 o mercado espera um CDI um pouco acima do empate, e o pós leva vantagem. Até 2029 e 2032, espera um CDI abaixo, e o prefixado leva. A taxa do prefixado já embute uma Selic caindo; você só ganha com ele se a queda for igual ou maior do que a que já está no preço.

Quanto rendem R$ 100 mil no prefixado e no pós-fixado em cada cenário?

Montei três caminhos para a Selic, todos partindo dos 13,75% de hoje:

  • Cai mais que o Focus: 13,25% no fim de 2026, 10,50% em 2027, 9,00% em 2028 e 8,50% depois.
  • Focus: 13,50%, 12,00%, 10,50% e 10,00% depois.
  • Cai menos: 13,75%, 13,25%, 12,50% e 12,00% depois.

Aplicação de R$ 100 mil em 08/10/2026, levada até o vencimento. O pós é um título de 100% do CDI. O IR é o mesmo para os dois: 17,5% no 2028 (o prazo é de 450 dias, abaixo dos 720) e 15% no 2029 e no 2032.

R$ 100 mil aplicados em 08/10/2026, valor líquido de IR no vencimento. Fonte: Tesouro Transparente (taxas de compra de 06/10/2026) e Banco Central (Focus de 02/10/2026); cálculo do autor, sem taxa de custódia.
Vencimento Prefixado Pós: Selic cai mais Pós: Selic do Focus Pós: Selic cai menos
01/01/2028 (IR 17,5%) R$ 112.791 R$ 112.267 R$ 113.039 R$ 113.703
01/01/2029 (IR 15%) R$ 125.281 R$ 121.906 R$ 124.227 R$ 126.568
01/01/2032 (IR 15%) R$ 173.172 R$ 151.353 R$ 160.149 R$ 171.462

Três leituras da tabela:

  • No 2028, a diferença é troco. Do pior ao melhor cenário, o pós fica entre R$ 524 abaixo e R$ 912 acima do prefixado. Em 15 meses, a Selic não tem tempo de cair muito, e quase tudo depende das próximas reuniões do Copom.
  • No 2029, o Focus dá R$ 1.054 a favor do prefixado. Se a Selic cair mais, a vantagem sobe para R$ 3.375. Se cair menos, o pós ganha por R$ 1.287.
  • No 2032, a distância vira um carro popular usado. Com a Selic do Focus, o prefixado entrega R$ 13.023 a mais. Até no cenário de Selic teimosa, em 12% a partir de 2029, ele ainda fica R$ 1.710 na frente, porque esse cenário dá um CDI médio de 12,47%, abaixo dos 12,71% travados. Para o pós ganhar até 2032, a Selic precisa ficar, na média, perto de 12,8% até lá.

Uma ressalva: a conta não inclui a taxa de custódia de 0,20% ao ano do Tesouro Direto. Num CDB pós, ela não existe. Para simular com a sua taxa, seu prazo e seu IR, use a calculadora de renda fixa.

O que acontece se eu vender o prefixado antes do vencimento?

Aqui mora o risco que a tabela não mostra. A taxa de 12,55% só vale para quem fica até 2029. No meio do caminho, o título é recalculado todo dia pela taxa do mercado, a chamada marcação a mercado. Taxa sobe, preço cai. Taxa cai, preço sobe.

Imagine R$ 100 mil no Prefixado 2029 comprado hoje e vendido daqui a um ano, em 08/10/2027:

  • Se a taxa do título tiver subido para 14,55%, você resgata cerca de R$ 110.073 brutos.
  • Se continuar em 12,55%, cerca de R$ 112.444.
  • Se cair para 10,55%, cerca de R$ 114.911.

No mesmo ano, o pós com a Selic do Focus chegaria a R$ 112.808 brutos, sem susto nenhum no extrato. A diferença entre o pior e o melhor caso do prefixado, perto de R$ 4.800, é o preço de precisar do dinheiro antes da hora. Em outubro de 2026, depois do 1º turno, R$ 100 mil no Prefixado 2032 subiram mais de R$ 5 mil em um único pregão, como mostramos no texto sobre marcação a mercado no Tesouro. O movimento contrário acontece com a mesma velocidade. (Os valores acima não incluem a pequena diferença entre a taxa de compra e a de venda do Tesouro.)

Se você não sabe quanto balanço aguenta ver no extrato, o quiz Perfil de Cagaço ajuda a medir.

CDB prefixado ou Tesouro Prefixado?

A lógica do empate é a mesma: compare a taxa do CDB pré com o CDI médio que você espera até o vencimento. Muda quem garante o dinheiro.

  • Tesouro Prefixado tem o risco do governo federal. Dá para vender antes em qualquer dia útil, pelo preço de mercado.
  • CDB prefixado tem o risco do banco, coberto pelo FGC até R$ 250 mil por CPF por instituição, com teto de R$ 1 milhão a cada quatro anos. Os detalhes estão no guia sobre como funciona o FGC. Muitos CDBs pré não têm liquidez antes do vencimento, e o dinheiro fica preso até a data. Banco menor costuma pagar mais justamente por isso.

Um CDB pré só faz sentido na conta se a taxa ficar acima do Tesouro Prefixado do mesmo prazo, para compensar o risco do banco e a falta de saída.

Quando o pós-fixado faz mais sentido?

Em três situações, a taxa importa menos que a flexibilidade:

  • Reserva de emergência. Dinheiro que pode ser sacado amanhã não pode depender da taxa do dia do saque. Tesouro Selic ou CDB de liquidez diária a 100% do CDI cumprem esse papel.
  • Prazo incerto. Se a compra do carro ou da casa pode ser daqui a 8 meses ou daqui a 3 anos, o pós não pune você por sair antes.
  • Selic subindo, ou caindo menos do que o mercado espera. Na tabela, é o único cenário em que o pós vence no 2029.

E o prefixado faz mais sentido quando a data do uso é certa e cai perto do vencimento, e quando você acredita que a Selic vai cair pelo menos o que o Focus projeta. Muita gente divide entre os dois para não depender de um único palpite sobre o Copom. A Selic do dia está em Selic hoje; o que é a taxa e quem decide, em o que é a Selic.

Perguntas frequentes

Prefixado ou pós-fixado: qual o melhor?

Depende do CDI médio até o vencimento, que ninguém conhece hoje. O prefixado ganha se o CDI médio ficar abaixo da taxa travada; o pós, se ficar acima. Com as taxas de 06/10/2026 e o Focus de 02/10/2026, o prefixado leva no 2029 (R$ 1.054 a mais em R$ 100 mil) e no 2032 (R$ 13.023), e o pós leva por pouco no 2028 (R$ 248).

Prefixado ou pós-fixado hoje?

Em 08/10/2026, a Selic está em 13,75% e o CDI em 13,65%. Os prefixados pagam de 12,55% a 12,71% ao ano, abaixo do CDI de hoje, porque o mercado espera cortes a partir de 2027. Comprar prefixado agora é apostar que esses cortes vêm pelo menos do tamanho projetado.

CDB prefixado ou pós-fixado?

Mesma conta: a taxa do CDB pré contra o CDI médio esperado até o vencimento. Some a isso a liquidez. CDB pós de liquidez diária pode ser resgatado a qualquer hora pelo valor aplicado mais o rendimento; CDB pré costuma prender o dinheiro até o vencimento. Os dois têm FGC até R$ 250 mil por instituição.

LCI e LCA: prefixado ou pós-fixado?

A lógica do empate vale igual, com uma diferença: LCI e LCA não pagam IR para pessoa física. Para comparar uma LCI pré com um CDB pós, primeiro converta a taxa isenta para o equivalente com IR (no prazo acima de 720 dias, divida por 0,85) e depois compare com o CDI esperado.

Fontes: Tesouro Transparente, taxas dos títulos ofertados (PrecoTaxaTesouroDireto.csv, 06/10/2026) · Banco Central, Sistema de Expectativas (Focus, 02/10/2026) · Banco Central, SGS 432 (Selic meta) · Banco Central, SGS 4389 (CDI anual, 06/10/2026) · FGC, sobre a garantia · Tesouro Direto, regras e taxa de custódia

Denis Miyabara
Denis Miyabara

Denis Miyabara é engenheiro de formação e sócio da EQI Investimentos. Criador do canal Investir e Coçar, no YouTube, onde explica investimentos sem enrolação para mais de 165 mil inscritos, e apresentador do Faria Lima Late Show. Escreve sobre ações, fundos imobiliários, ETFs e renda fixa — sempre abrindo a conta na tela, e deixando claro quando o número é projeção e quando já caiu no bolso.

Artigos: 489

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